"Quem tem medo da arte contemporânea?"
Como entender a arte contemporânea, e que caminho esta se seguindo? O autor critica a pratica da mediação onde há uma grande preocupação de como essa mediação irá se posicionar, pois esta pode ser induzida.
O problema é que essas pessoas usam um único verbo: entender. Entender significa reduzir uma obra à esfera inteligível.
Hoje em dia a formação de público tornou-se uma preocupação essencial. O público passou a ser visto como algo a ser permanentemente formado, sim.
A partir do Impressionismo, a arte moderna passou a refletir e a investigar de modo crescente seus próprios meios de produção.
Se a arte contemporânea da medo é por ser abrangente demais e muito próxima da vida.
Hoje a arte voltou a ser novamente desenvolvida em torno do conteúdo, coisa que o modernismo havia reduzido a quase nada em nome da reflexão normal.
As identidades no mundo contemporâneo não podem mais ser pensadas como uma plantação (onde cada planta tem sua raiz) porque ele esta em rede. Uma rede que migra de um canto para outro.
Todas as sociedades desenvolveram noções de pessoas diferentes umas das outras. A nossa desenvolveu a noção de pessoa ligada ao conceito de individuo como único.
No Renascimento arte e artesanato se separam, na consciência e na pratica dos artistas.
O Ready made nomeia a principal estratégia de fazer artístico do artista Marcel Duchamp. Essa estratégia refere-se ao uso de objetos industrializados no âmbito da arte, desprezando noções comuns a arte histórica como estilo ou manufatura ao objeto de arte e referindo sua produção primariamente à idéia.
O Ready made é uma manifestação ainda mais radical na intenção de Duchamp de romper com a artesania da operação artística uma vez que se trata de apropriar-se de algo que já esta feito, escolhe produtos industriais, realizados com finalidade prática e não artística (urinol de louça, pá, roda de bicicleta) e os leva a categoria de obra de arte.
Cerca de 140 anos mais tarde, Kant propôs uma noção de sujeito com uma função inerente a própria faculdade de conhecer, que se impõe o mundo, reconstruindo-o. A noção de sujeito cognitivo (aquele que conhece) que predominou em grande parte das teorias do conhecimento posteriores é de origem kantiana.
Neste sentido podemos explicar porque a pesquisa de um cientista não morre com ele. Seu pensamento e trabalho podem continuar por outros, pois se tratava de um trabalho cognitivo de um sujeito e não da expressão de vivencias pessoais.
O autor nos coloca uma série de pontos importantes sobre a relação das teorias de interpretação e analise da arte produzida com o objeto em si, salientando que tais teorias se modificam, emergem e se ultrapassam, mas a obra permanece como tal, apenas é vista por outra ótica. E essa ótica está ligada à subjetividade e a produção de conceitos do sujeito que analisa, por tanto há muitas possibilidades para o mesmo objeto, que faz no contexto de cada época.
Um paralelo entre a arte moderna e a arte contemporânea é estabelecido na leitura onde são feitas várias reflexões, dentre as quais faz se necessário salientar a construção desses dois movimentos históricos, enquanto o movimento moderno buscava racionalidade e funcionalibilidade, a arte contemporânea se faz na subjetividade e na fragmentação.
Outra questão importante, que o autor se refere é sobre o efeito da imagem e em diferentes épocas e como ela se constrói com o contexto envolvente.
Somos seres pós modernos, fragmentados e de certo modo “editados” e talvez próximos a estabelecer outras e novas normas éticas, estéticas e políticas, que sejam capazes de contemplar esse novo sujeito. E segundo o texto, a união do ser se faz pela junção das partes ou fragmentos que o sujeito é constituído.
A arte é o único espaço no mundo contemporâneo onde a lógica e a razão não são objetivos únicos e verdadeiros, onde a subjetividade, seja do artista ou do apreciador, são aceitos sem que se busque uma interpretação ideal para o objeto.
Tanto é que não temos mais um Professional ou um veículo específico que sirva como ditador de conceitos e classificações fixas. Porém, hoje contamos com vários critérios para análise, interpretação e produção de conceitos. Por outro lado, o curador, responsável pela criação de temos, seleções dos artistas e as obras, ganha papel de destaque no meio artístico, além de ter certo domínio na produção da arte.
Alguns jovens artistas, hoje, fazem uso apenas da sua subjetividade para produzir, distanciando-se da esfera coletiva, porém é necessária essa inserção do individual no coletivo para se fazer historia da arte.
O texto traz ainda que a arte contemporânea esteja baseada em “torno de atitudes, de certas crenças, de certas convergências subjetivas”, não mais à movimentos formais como na modernidade com os ismos, estamos em busca da diversidade.